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Entrevista Revista Expressa Mais!

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Show de entrevista em Ribeirão Preto!

SEXUALIDADE

20 perguntas sobre sexo que você precisa saber, mas talvez não tenha tido coragem de perguntar.
A sexualidade feminina ainda é vista como um tema polêmico, mesmo nos dias atuais, inclusive entre as próprias mulheres. Após gerações de restrições por parte da sociedade, parceiro, criação, religião, essa restrição vem significativamente mudando, é o que explica a Educadora Sexual, Consultora de Artes Sensuais, Striptóloga e Sex Coach, Tarciana Chuvas.
Em 17 anos de pesquisa conta testemunhar passagens fantásticas e trágicas em relação à sexualidade. E diz que a mulher está começando a se conhecer, e o caminho para tal é colocar em discussão a sexualidade aberta, de forma didática e livre para questionamentos.
Em entrevista a Expressa Mais, com fala segura e clara, afirma: É de responsabilidade da mulher, procurar pelo seu prazer, pois hoje há ferramentas, e o que principalmente faltava, informação.
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E+: Em suas palestras você explica que sexo é uma questão social, por quê?
T.Chuvas: O sexo move o mundo, sempre foi assim e está bem longe de mudar. A sedução está em tudo e em todos, um bebê de 3 meses já sabe que para conseguir o que quer, basta chorar. Um vendedor seduz para vender, um advogado seduz para ganhar a causa. Até um padre tem de seduzir sua plateia. Seduzir não tem apenas conotação sexual, é social. Sedução é poder de convencimento, é persuasão, é charme e um diferencial nas pessoas de sucesso. E a ótima notícia é que tudo isso pode ser treinado, desenvolvido e aperfeiçoado. Sedução é uma arte que pode ser aprendida. Sexualidade também.
“A mulher que confessa não gostar de sexo, na verdade não conhece o prazer, por não conhece seu corpo”
E+: Fazer sexo tem idade?
T.Chuvas: Não tem idade. Tenho muito orgulho de ter alunas com 80 anos. E viúvas, que conheceram o prazer depois do falecimento de seus parceiros. E por que isso? Porque como elas sempre viveram em uma época sem voz nem vontade, não sabiam o que poderiam ter. Hoje com cursos e acessórios certos podemos descobrir, e aumentar a libido de uma mulher na menopausa.
E+: Algumas frentes expõe a tese de que a sexualidade feminina passou de reprimida (impedida de conhecer a própria sexualidade, servidora da reprodução e do homem), para repressora (meu marido não me dá orgasmos, não me procura) após a revolução sexual nos anos de 1960 a 1970. Qual a seu ponto de vista?
T.Chuvas: Vejo responsabilidades mudando de mãos. Fomos reprimidas sim, pois não tínhamos voz. Hoje temos. Fomos repressoras sim, pois não tínhamos conhecimento. Hoje temos. Passamos sim por estas fases e hoje atravessamos a fase da conscientização. Com mais conhecimento e voz, podemos exigir o melhor que merecemos ter. Toda revolução é válida, pois traz discussão. Hoje só em saber que temos poder sobre nosso corpo é uma vitória. É nossa responsabilidade nosso prazer, pois agora temos todas as ferramentas que nos faltava.
E+: Os homens sentem medo da mulher segura sobre sua sexualidade?
T.Chuvas: Só quando ela não sabe dosar seu poder. Homens não gostam de mulheres masculinizadas, e infelizmente hoje a mulher confunde muito independência e masculinidade. Sou a favor e luto muito pela feminilidade. É um poder absoluto e não precisamos abrir mão de nossa independência e charme. A segurança sexual é consciência corporal. Quando uma mulher se conhece e domina seu corpo, ela auxilia seu parceiro de forma sutil, sem assustar nem intimidar. E ainda o faz se sentir um super-homem, pois o ponto G do homem é o ego. Costumo dizer nos cursos que não adianta aprender uma infinidade de técnicas sexuais se não sabe como aplicá-las. O modo de fazer é tão importante quanto os ingredientes numa receita.
E+: Existe sexo sem penetração?
T.Chuvas: E dos bons. Algumas escolas avançadas orientais trabalham o prazer pontual (orgasmo) e o prazer supremo (no corpo inteiro). Claro que isso
requer muito estudo, treino e paciência do casal. O homem pode ter até 4 orgasmos secos sem penetração e sem ejacular, tamanho é o poder dos exercícios pélvicos masculinos, aliado a técnicas de respiração. Temos o péssimo vício ocidental de concentrar toda nossa atenção e energia somente nos genitais, ignorando mares de prazer que se escondem no corpo.
E+: Como a ditadura do corpo perfeito altamente em moda, atrapalha a mulher em seus relacionamentos?
T.Chuvas: Atrapalha e muito. Elas se sentem escravas das revistas, blogs e TVs. Como se produção traduzisse alguma realidade. Isso as faz se sentir feias, menores e nada sedutoras. A sensualidade nunca foi, nem será condicionada a corpo perfeito. Ainda bem. Costumo dizer que é bem mais fácil e barato ser gostosa, charmosa, e boa de cama do que perfeita de corpo. E no final das contas, é o que faz a diferença. Pois corpo perfeito é futebol arte, quem ganha campeonato é gol, e gol é pimenta, charme, segurança e confiança. E o mais irônico: é a mulher quem critica. O homem não é paranoico com o corpo da mulher. É ela quem tem que fazer as pazes com o espelho.
E+: Como resgatar a autoestima sexual?
T.Chuvas: Muitos responderiam “se amando”. Mas gosto de trabalhar com a teoria de que só amamos o que conhecemos. Então só podemos elevar nossa autoestima se conhecendo profundamente. As mulheres principalmente não conhecem seus corpos. Não foram orientadas para tocá-lo e conhecê-lo. Sem conhecimento não podemos consertar nem melhorar. Não temos referência para saber o que é bom ou não. A mulher que confessa não gostar de sexo na verdade não conhece o prazer, não conhece seu corpo. A sexualidade é única e deve ser exercitada com e sem parceiro.
E+: O Ponto G existe?
T.Chuvas: O ponto mais sensível existe sim. Não é um botão mágico, mas com as ferramentas certas e com um ritual específico é possível ter orgasmos incríveis com a penetração por conta desse ponto. O que acontece é que a anatomia feminina é específica, mas cada corpo é único e funciona de forma diferente. O mesmo toque tem respostas diferentes em cada mulher. É preciso paciência e boa vontade. Tenho cursos específicos de orgasmos e todas as formas de encontrá-lo. É muito procurado inclusive por viúvas que nunca tiveram prazer.
E+: Qual orientação você deixa para as garotas que aguardam por sua primeira vez?
T.Chuvas: Informação. Simplesmente salva. Não somente de doença e gravidez, mas de uma decepção física e emocional. Fazer amor apaixonada é uma experiência única e mágica. Se a adolescente tem uma orientação sexual realista de sua família, saberá a melhor hora para ela, e não para ele. Infelizmente a maioria cede a uma chantagem emocional do parceiro. E por medo de perder acaba queimando etapas importantes de sua vida.
E+: Porque nossa cultura cultua o sexo bom no namoro, porém menos interessante no casamento. A convivência atrapalha?
T.Chuvas: O frisson das descobertas passa, os mistérios vão se desvendando, seduzir já não é uma conquista. O que não quer dizer que a convivência atrapalha. Isso só acontece se o casal
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não se compromete em manter a qualidade da relação. Se a convivência for exaustiva o distanciamento frequente é saudável e necessário. Mulheres vivem se queixando de que seus parceiros não a procuram mais, eu digo: “esconda-se novamente!”. Todo relacionamento precisa de investimento. Revisitar o que o casal adorava fazer, ser, vestir, comer, beber, dizer é o primeiro passo.
E+: As abordagens sobre sexo na internet, novelas, filmes e seriados, contribuem para a informação sexual? Essa comunicação propicia a iniciação precoce à sexualidade?
T.Chuvas: Infelizmente sim, a influência é brutal e não há fiscalização de qualidade na TV aberta. O modismo antecipa o interesse. E quem não se enquadra no grupo da moda se sente excluída do mercado da sedução, tamanha falta de autoestima. São meninas em busca do corpo perfeito, são meninos em busca de números para fazer bonito com a turma. Não adianta abordar prevenção e gravidez precoce na TV, e não falar que a orientação sexual deve começar em casa, pois a criança tem seu primeiro contato com o universo sexual a partir dos 2 anos de idade, e o despreparo dos pais é assustador. A internet é uma armadilha sem tamanho, pois não existe filtro de qualidade nas informações.
E+: O ciclo hormonal interfere no interesse sexual feminino?
T.Chuvas: Sim, mas existem tantos recursos para equilibrar o período e manter a libido que hoje não há desculpas para deixar a vida sexual de lado. Tudo é questão de prioridade e interesses, quando a mulher se conhece bem o sexo é incrível e sendo assim ela vai fazer de tudo para que nada atrapalhe.
E+: Em 2012 a trilogia do livro “50 tons” foi um best seller, principalmente no universo feminino. Em se tratando de um romance sadomasoquista, como você associa esse interesse?
T.Chuvas: Nada demais, a abordagem foi diferente, o interesse pelo desconhecido é notório. Mas a grande fantasia da mulher continua sendo o amor romântico. A abordagem do BDSM foi muito válida para quem não conhece bem as variantes da sexualidade, então deu um horizonte mágico para a grande maioria das mulheres que se imaginavam em situações nada convencionais. É bom para ela saber que existe, mesmo que não coloque muita coisa em prática.
Para saber mais:
www.tarcianachuvas.com
Próxima palestra em Ribeirão Preto
Data: 19.03.2013 / 19h
Local: Hotel Taiwan / R$ 30,00
Exclusiva para mulheres / 18 anos.
Convites: Racco Vila Seixas.
R.Bernardino de campos, 1608.
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